Na infância sempre ouvia os “velhos de igreja” dizer coisas do tipo: “olha aquele lugar ali é do diabo” ou: “não fala com aquela pessoa ali não porque ela é do diabo”. Essas palavras ficaram martelando na minha cabeça vários anos e a minha visão a respeito disso não mudava. Não mudava porque, aceitava a idéia dos outros, sem questionar o porque que as coisas eram assim, e também, porque eu não consultava a Bíblia, apenas seguia o que os outros diziam.
Por causa disso, as pessoas se convertiam e no outro dia jogavam tudo o que era do “mundo” fora, discos de vinil, quadros, cds, livros, fotografias, jogavam tudo o que diziam que era do diabo, e então, passava alguns anos, aquelas pessoas estavam lá, no maior arrependimento de ter jogado tanta coisa fora, sem saber ao menos o motivo, o porque.E como sempre, ninguém explica, logo elas começam a comprar tudo de novo, mas escondido porque se um “irmão” ficar sabendo, ai, ela será chamada por ele de “pessoa do diabo”.
Ainda existem várias pessoas que tem essa idéia de “mundo”, de “coisas do diabo” só porque não é “gospel” ou pior ainda “evangélico”.A visão de “mundo” que essas pessoas tem, é; se você não for uma pessoa que frequenta uma igreja, ou não tem o nome escrito em algum “rol de membros”, então você é do “mundo”.Se as bandas ou músicas que você escuta, não for comprado em uma loja evangélica, ou em algum “site gospel”, então o que você escuta é do diabo.
Se fosse assim, seria muito mais fácil do que se imagina, damos uma geografia para o bem e para o mal, interpretamos como do “mundo” tudo o que não é chamado de “evangélico”, quem vai à igreja todos os domingo é do bem, é de Deus, está na luz.E quem for, no bar da esquina, na boate, na casa do amigo que fuma, aquele que faltou três domingo no culto, aquele que escuta músicas que, chamam de “secular”, (na verdade secular é algo que tem cem anos, mas é assim que chamam), esses são do mal.Pronto está resolvido, o cristianismo simplificado, é só ir num determinado lugar para estar salvo ou não ir para estar condenado, ou ouvir música sacra, evangélica, gospel para ser do bem, ou ouvir música do “mundo”(como se as outras não fosse), secular (de cem anos) para ser do mal.
Se as coisas fossem assim, bastava irmos à igreja, e ouvir as músicas dos cantores evangélicos, e já estaríamos fazendo nosso papel de cristão.
Afinal de contas , onde está o bem e o mal?